Não estamos sonhando, de Luiz Pretti: todo homem deve gritar

“Todo homem deve gritar. Há um grande trabalho destrutivo, negativo, a ser executado”. A frase dadá de Tzara é recuperada no filme. Como aquele menino de hoje, que, como a gente, acorda num apartamento qualquer, sob a luz de mais um dia, e tira Lucio Costa da estante: acordar pra lembrar que, por vezes, a arquitetura serve ao tilintar das moedas, em catedrais agora pobres e beges e dourados arranha-céus. Da estante à janela, à rua em frente onde mais um prédio ganha terreno, e em seguida à cidade toda [seria a cidade a Barra da Tijuca?], o grito então se instaura, e um a um os edifícios zumbem, estouram, caem. Como aquele menino de hoje, acordar pra sonhar que, não, não estamos sonhando, e se o que se constrói nessa cidade é destruição, precisamos urgentemente (re)construir.

Editor responsável por esta publicação graziela kunsch - revista urbânia
Postado no dia .
Postado em Cities, Crítica cultural radical, uma cidade qualquer com as tags , , , .

Deixe um comentário

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios *

*